/histrionissima histrionissima histrionissima


sou bethania, sou gal,
sou o lado b do cinema transcendental.

fita de cetim no cabelo e vestido novo, coisas que a gente gasta quando o dinheiro entra e o sorriso também. de uma felicidade de pé descalço, hoje.

Festa Cinerama, Cine Lapa, Lapa,
madrugada de 29/02/08.

foto por Caroline G.




Elizabeth Taylor foi casada oito vezes, sendo que duas delas com Richard Burton. Ele foi Marco Antônio em Cleopatra e o marido frustrado em Who's Afraid of Virginia Woolf?. Liz ganhou seu segundo oscar com Virginia Woolf. Burton era alcoólatra.

Scott e Zelda foram casados durante muitos anos. Ele terminou em Hollywood, escrevendo não sei o quê, com uma garrafa na mão. Ela morreu em um incêndio, no sanatório onde estava internada. Paulo Vaz costumava dizer que o amor dos Fitzgerald era bastante conturbado; Scott teria dito que o que ninguém nunca compreenderia era que ele amava loucura nos olhos de Zelda, e ela, seu bafo de bebida. Tender is the Night é melhor que This Side of Paradise.

Paulo Vaz desperta paixões com seu maço de Parliament. Dizem que também foi casado algumas vezes, duas, ou três. Não sei muito sobre a vida dele.

Rainer Werner Fassbinder amou quatro pessoas em sua vida: dois homens, duas mulheres. Bruno diz que apenas homossexuais amam pessoas. Heteros amam homens OU mulheres. Eu já amei algumas pessoas, umas três. Ou já estive apaixonada. Não sei se dá no mesmo.

A cada casamento, Elizabeth Taylor dizia que seria o último. Ela parou de tentar em 1996, pelo visto. Burton foi casado quatro vezes.

Zelda morreu oito anos depois de Scott. Ele teve uma parada cardíaca enquanto ouvia uma partida de futebol no rádio.

Eu amaria Rainer Werner Fassbinder.

Uma vez Paulo Vaz esteve presente em uma jornada científica ao lado de uma ex-mulher sua. Ela orientou dois rapazes de psicologia, e ele, seus bolsistas em comunicação. Eles não trocaram olhares. Foi tenso.

Eu também apresentei um trabalho nessa jornada. Meus orientadores não estavam lá.

Paulo Vaz gosta de conquistar suas turmas . Bruno também foi aluno de Paulo Vaz. Parece que, em uma das aulas, Paulo declarou que todas as mulheres são histéricas, e todos os homens, neuróticos. Isso gerou confusão. Ele deve ter dado um trago no Parliament. E continuou: porque as mulheres culpam os homens de todos os problemas que elas mesmas inventaram, e os homens tomam essa culpa para si.

Ele deve repetir isso todos os períodos.

Elizabeth Taylor amava Richard Burton.

Zelda amava Scott Fitzgerald.

Rainer Werner Fassbinder deixou uma viúva, e três amores.

Eu não gosto de Parliament.




bate-bate coração.

deixa de ser bobo. eu vou aonde eu acho que o coração bate (e às vezes dá um frio na barriga). se você escorrega e a balança pesa mais de um lado, a gente re-e-quilibra. até lá, desliza-eu.

bate-bola.

deixa de ser bobo.

eu não quero magoar ninguém. e nem escolher entre ninguém. é difícil: o coração está fora de moda, mas é grande demais, não dá pra esconder.

é a vida.

eu não quero escrever mais sobre isso.

quero acordar e dormir, dormir e acordar, e depois de acordar, dormir de novo.

dormir.




Bruno anda obcecado por ligres. Ele, inclusive, sugeriu que trocássemos a guarda do Luthero pela de um filhote de ligre. Híbrido por híbrido, meu vira-lata com pinta de bengali vale mais do que esses gatinhos super crescidos. Mas ligres são mesmo uns bichos lindos.

Ligres estão entre nós desde fins do século XIX, por conta de algum cruzamento “acidental” entre um leão e uma tigresa. Falta algum gen capaz de impedir seu crescimento, de modo que chegam a medir quase que duas vezes o tamanho de seus pais (e umas dez vezes o tamanho do Luthero). Ligres machos são estéreis, ligresas, não. Tem outros cruzamentos entre animais selvagens, como o de jaguareões, pantereões, e o próprio bengali, F2 entre gato selvagem e doméstico. Já foi decidido, porém, que o Luthero é thanagariano, e ponto final.

Napoleon Dynamite dizia que ligres são criados pelos seus poderes místicos. Tenho medo que Bruno comece também a desenhar ligres por aí, e, por isso, estamos trocando um número grande de imagens e informações a respeito desses animais. Até pra comprovar sua existência. Para nós mesmos.

Mas acho que essa foto explica tudo.



Ligres existem apenas em cativeiro, em zoológicos de todo mundo. Existem também o tigões, filhotes de leoa com tigre. Mas parece que ligres são mais bacanas. E grandões.






Não sou eu quem repete essa história,
essa história que adora uma repetição
uma repetição
uma repetição




O filá larêô moriuá
Oxalá larêô moriuá


em nagô: Os filhos de santo estão enaltecendo as riquezas de Oxalá. É ele o santo mais rico da Bahia.

Canto de Oxalá. Nagô. Colhido por Camargo Guarnieri e publicado no artigo de Oneida Alvarega, "A influência negra na música brasileira", em Boletín Latino Americano de Musica, v.6, abril de 1946, p.357-407.

De uma página bastante boa, coleção de cantigas de roda, muisiquetas, realejos e partituras, os sons do Brasil.




Ontem guardei o pote de nutella na geladeira, endureceu. Sujou meu dente e o seu. Aquela tampa de pressão é ótima, genial. Eu adoro a tampa de pressão. Mas prefiro sexo.

A Britney disse que chocolate era melhor que sexo, ela ainda não tinha raspado a cabeça.

Ontem também descobri o que é a Fé Bahá'í. Também li sobre o Monte Ararat. Dizem que Noé pousou sua arca por lá após o dilúvio. O monte Ararat também é um estrato-vulcão. Fica no Curdistão, mas é um símbolo armeno. Bahá'u'lláh ficou dois anos meditando em uma montanha no Curdistão. Depois, ele foi preso, e passou quase trinta anos na pior cadeia da Turquia. Saiu em 1892, um homem santo.

Bahá'u'lláh podeser lido em http://www.bahai.org.br/nsabr/. Não confundir o homem-santo com o grande Báb. Báb quer dizer Porta. Quando O Báb foi fuzilado, em 1850, 1850 e poucos, um pelotão de tiro de 750 homens foi incapaz de atingi-lO, nem a seu companheiro, um rapaz de 18 anos que havia exigido seguir seu mestre até o fim. Pelo contrário: os tiros apenas rasgaram a corda por onde o Báb deveria estar suspenso. Ele foi encontrado a poucos metros dali, conversando com o secretário da sua fé.

Depois, voltou à linha de tiro. Um outro militar assumiu o fuzilamento, já que o anterior, cristão, viu que se tratava de um verdadeiro milagre, e se recusou a repetir os procedimentos. O Báb então foi martirizado, junto com outros seguidores. Bahá'u'lláh, por ser de linhagem nobre, perdeu todos seus bens, foi torturado, encarcerado, mas sobreviveu, pregando os ensinamentos dO Báb até o fim.

A Fé Bahá'í é a mais recente grande religião mundial. Prega a integração dos povos, sexos, credos e nações. Nutella endurece quando é deixada na geladeira. E suja os dentes.

Até agora, não tenho nada contra nutella. Segundo a Fé Bahá'í "... hoje todos os horizontes do mundo estão iluminados com a luz da unidade... fomos criados para levar avante uma civilização em constante evolução...".

Britney sabe mesmo que sexo é melhor que nutella?

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Depoimento extraído de www.bahaivideos.com.




Em clima de revival de mim mesma.



Kimono, Japanese Policeman, 2006.

Os ilsandeses do Kimono lançaram essa música em um EP de 2003, e posteriormente, no Mineur-Agressif, do mesmo ano. É um dos primeiros trabalhos do grupo. O clipe, dirigido por Ragnar Hansson, é simplesmente fascinante, muito embora mostre apenas uma versão redux de Japanese Policeman, que, no original, dura cerca de oito minutos.

Há tempos venho tentando saber mais sobre a banda, mas o site oficial indica apenas um álbum novo lançado em 2005. O pior é que eu acompanho o trabalho deles desde 2006. O que terá acontecido?




Glen Campbell, autor da clássica Rhinestone Cowboy, me perturba. Ouvi a música pela primeira vez em um dvd do Belle & Sebastian, cinco anos atrás, na voz do Stevie Jackson, e o escocês mandou tão mal que durante muito tempo eu achava que o refrão era i'm a rhinestone cowboy, e não like a rhinestone cowboy. Que seja.

Naquela época, caubói era coisa de macho, o Heath Ledger era lindo, e eu não me importava muito com o country americano. Faz mais ou menos dois anos, porém, eu encontrei na feira da Glória o lp Rhinestone Cowboy, em perfeito estado de conservação, com esta capa que ilustra o post. E me apaixonei. Sem mais.

Infelizmente, não achei um vídeo do Glen, novinho, nesse cavalinho marabie levantando o chapéu por baixo de uma nuvem de glitter. Mas, para quem não conhece, vide o vídeo.



Glen Campbell, Rhinestone Cowboy.




#Brian Eno - By this River
#Ilya - Disturbed
#Ida - Late Blues
#Elis - Ela
#Pedro the Lion - The Poison

Presa em 1997 é o caralho.




Da vez que vi esse filme, faz uns três anos, fiquei com medo de casar. É que Martha já está com mais de trinta, acabou de perder o pai, e vai se juntar com um cara bonitão, ganha bem, e panz. Só que ele é sádico, e ela, coitada, nem sabe, mas é masoquista. O marido de Martha tortura ela assim, ó: ela não quer entrar na montanha-russa, ele insiste, ela entra, e vomita. Ela tenta beber café, ele a obriga, carinhosamente, a tomar chá, e ela aceita, e sorri. Ela toma banho de sol, e pede pro marido avisá-la dali a quinze minutos, mas ele a deixa queimar, e depois trepa com ela, assim, toda vermelha, na lua de mel ainda. Depois, o marido tranca ela em casa, começa com um esquema de trabalhar longe, só a vendo nos finais-de-semana, cancela as linhas telefônicas, pede pro carteiro não passar mais por lá, obriga a moça a ler livros chatos, etc, e ela vai entrando no jogo. Quando Martha se rebela, já é tarde: vem o maridinho, com um sorriso no rosto, a levando, dessa vez, numa cadeira de rodas, de volta para sua linda casinha.

Bem, eu gosto desse filme, ele incomoda. É ainda mais legal quando você percebe que aquela comediazinha romântica vira um drama novecentista, uma tragédia doméstica, aquela histrionia bem ao gosto dos fãs do RWFassbinder. Aliás, em qualquer obra dele, me dá um aperto assim, me chama de Petra von Kant e me arruma uma Karina, me chama de Veronika Voss e me dá duzentos marcos pra um broche, me chama de Maria Braun e me deixa explodir acendendo o cigarro no gás da cozinha: uma vontade fudida de sangrar junto com toda essa histrionice. Se joga.

Martha foi um fracasso, segundo o google, na sua semana de estréia. Hoje é um filme cultuado, não apenas por clubes de sado-masoquistas e freqüentadores da biblioteca do Goethe-Institut. Recomendo.




há alguns dias, dentro da minha cabeça, o sol brilha, e queima alguns neurônios. isso é bom, é quase divertido. só não gosto dos sonhos.

mas ontem, aprendi a dormir de conchinha, porque estava com frio
e doeu, somos um bando de porcos-espinhos.

quando chove, a água escorre pelos dedos, não entra pela pele.
só meu pé que fica preto, o sapato deve ter furado.
a gente paga caro pelas coisas, hoje em dia,
matam milhares e milhares de bois pras cadeias de fast food, e eu nem sei qual é o cheiro do couro de bicho.

quando chove, faz frio, a gente tem saudades. aperta, mas passa.

aqui dentro, tem sol.




e lá vamos nós (de novo) mais uma (outra) vez agora.

contas pra pagar, compras, colocar o gás no fogão, banhos frios, chuva, centro da cidade, ratatouille, liberdade do frank miller, roupa suja, despenteada, sorriso no rosto, cabeça nas nuvens, pé no chão, de todas as fadas, eu sou uma bruxa.

pega o fôlego, respira. não dá pra ficar cansada. casa comigo que eu te faço aquele blablablablá todo, e eu me esforçando para sobreviver ao quarto pedido de união formal. come live with me.

uma guinada de 359º e meio. tomando cuidado para não voltar sempre ao mesmo lugar. e indo.