/histrionissima histrionissima histrionissima

Qualquer coisa, só que unida feito bicho em cópula, aranha em briga. As duas tinham sido do mesmo sujeito, e isso contava. Eram duas ao mesmo tempo. Pense: coisa cabreira, misturada no esperma mesmo, e rejuntada pelos restos de outra coisa que aparecia vez ou outra no pescoço. Mancha roxa, cor de sangue duro, nem doía nem nada. Era a prova. Uma esteve com o outro e vice, sem o versa, nem rabo de olho. E foi, era caso delas irem juntas, vez mais tarde. O sujeito nem contava mais, de tempos já sabiam. Quê... topada na rua duas vezes, meia e palavra e meia, uma palavra inteira, e pronto: danou-se.

Da primeira vez fez que não sabia, e a coisa ficou lá, entre as horas e o cigarro. Nada... a mão tremeu. E aí parecia manteiga, tudo que saía era mole e virava fritura. Dava pra sentir o cheiro de estória boa, foi na hora. Era claro: primeira vez que as moças se olham, sai faísca. Aí tem... Uma reconhece a outra, parece até mulher da vida, só que com roupa de menina. Depois finge que não sabe. Mas sabe sim. Nome, até endereço, deixa estar. E tem vontade de dizer que quer mesmo sem querer. Só vontade: conversa miúda escorre na manteiga. Importa agora: foram amantes do mesmo. Isto é, caso de simultaneidade. Era uma coisa pra ficar lá, no canto escuro do cinema, remói e mói. É pra ser. O dedo, futucando, com medo de levar pra luz. O dedo depois não parava. Só era pra ela, e vice de novo, quem sabe com o versa. Espera. Ai.

Da segunda vez foi assim: olho no olho, e conversa. Miúda. É bom falar, moleza de fim de dia. O olho já diz que quer, e mesmo caindo foi. Era pra ser, era pra ser. Muita novidade, nada grave, apenas isso. E quê, coisa mais de se estranhar, conversinha fiada... já vi. O diabo sussurrando de boca pequena pra botar a mão nisso, tocar aquilo, e nada; era só fingimento. Queria sim era ver, a outra, assim, nuinha, mesma cama, cara de quero-quero. E ficou só no querer, hora de sair. Saltou do ônibus sorrindo feito moleque novo. Em casa o capeta virou beijo. Em boca de homem. Mas não era para tanto; coisa dessas se come em prato frio. Depois, era beijo de amor. Agora é certo: bem que ela queria o beijo dos dois.

E aí veio a certeza. Coisa mais doida, parece até que nunca viu. Queria beijar aquela boceta. Vê se pode. Mas era o certo. Torcia pra outra aparecer de novo. E ficava só na torcida.

A terceira já veio reta. Coragem de peitinho estufado, de pentelho alourado em revista, e o brilho no olho. Era hora do passo duro. Juntou esperma, chupão, fantasia, e decidiu-se: sou meio macho. Passava, era só falos e mamilos. Vestido verde, decote, ar de sabe tudo, e foi logo dizendo oi. Não, nada pra fazer. Sorriso cruel, veja: o cão no pescoço, dava até pra sentir a nhaca de enxofre. Fedentina, e vice-versa. A outra disse que sim, e ela guardou o sorriso. Diabo, pense os pentelhos, só pode ser pintura. Os dela assim, bem crespo, quase ruim, que nem o cabelo. A de vestido verde, nada... quando aparecia, arrancava. Nem doía, e ficava assim, boceta de puta. Virgem.

No filme já sabe: dá merda. E deu, diretinho onde era pra ser. Mas foi. Depois, café. Tudo meio morno, meio doce. Não, nada pra fazer. A porta abriu. Nada mesmo? Nada. Filme chato – desculpa pra quê? A outra comia pipoca sem barulho: vê se pode. Ê, coisa ruim. As bichinhas mastigadas, assim, movimento vaivém, delicadeza fina flor. Olha que a do vestido verde preferiu bala. Treina a língua, puta, treina que vai usar hoje. A outra faz que não vê. Nada... chega perto no sofá e conta até três: é pra ser; é pra ser; é pra ser.

Finge que lê a mão e vê a unha curta. Pois, calha de encostar o dedo no lábio. E logo o dedo do anel. E, no que encosta, a diaba diz: olha. A outra com cara de boba no vestido, parece embrulho de presente. Ajoelha que é mais bonito beijar assim.

Queria mais era entender a coisa. Dois peitinhos, as bundinhas pro ar, as boquinhas bem coladas. Aquele troço que escorria; boceta na boceta. Só que unida feito bicho em cópula, aranha em briga. E foi?

Era pra ser. Mesmo.