/histrionissima histrionissima histrionissima

Gostaria de expressar via blógue que é possível viver de duas Ana Marias, uma xícara de leite desnatado, duas côdeas de pão light e um copo de suco de laranja sem açúcar por dez horas, das oito da manhã às seis da tarde, ignorando, claro, os roncos do meu estômago vazio.

Ressalto contudo que não há pecado alimentício digno de nota nas seis horas restantes até o sono me abater.

Tenho dito,

A.M.




A formação do meu caráter se deve, como era de se esperar , a alguns mentores, em sua maioria do sexo masculino, que me puseram no mau caminho de modo a me fazer convencer que aquela sim era the good life. O mais marcante de todos sem dúvida foi o senhor Leonardo Galvão, que nos idos do início da minha adolescência simplesmente me auxiliou, de forma indireta, a construir meu self sem o prejuízo, claro, da minha doçura natural.

Leonardo era colega meu nas chatíssimas quatro horas semanas do curso de francês, e de certa forma impressionava por conseguir sempre dizer que não entendia porra nenhuma quando a maior parte das colegas, todas dotadas de um intelecto superior, o olhavam com certa condecesdência ante seu ar sonolento de quem não desperdiça uma boa noite de sexta-feira ante uma aula na Aliança sábado pela manhã. Leonardo era um rapaz simpático, boa-pinta, e de certa forma me convenceu de que a ECO era o lugar certo para uma mocinha como eu apenas por meio de uma visita àquela Americanas subterrânea no Praia Shopping, quando, no intervalo da aula, ao perceber uma promoção bastante atraente das batatas Ruffles, pegou quinze sacos, e, brilho no canto do olho, disse:"Sinta o poder do cartão de crédito". O mais divertido foi, claro, o fato dele ter esquecido o cartão em casa. Inesquecível.

Leonardo, a despeito de na época ser estudante de publicidade na ECO, era um cara gente fina para caralho, que me ensinou alguns valores indissociáveis à natureza de discente em universidade pública, como escolher os dias certos para se matar aula, não anotar nada que você saiba que vá esquecer nos próximos cinco minutos, manter sempre um leve atraso na sua folha de pagamento, comprar cds (sim, somos da era pré mp3) do Pixies, ouvir com mais atenção Smashing Pumpkins, xingar... eu, que sou facilmente impressionável, olhava o Leonardo com aquela carinha de "quero ser ele quando crescer", e de certa forma me tornei, sem o prejuízo, claro, de sofrer uma cirurgia de mudança de sexo.

Me lembro de um dia que eu comecei a chorar, no meio do curso, proque era simplesmente incapaz de entender o uso de "y" na construção gramatical em francês. A professora, uma francesa muito da gente fina também, pediu para Leonardo me levar para dar uma volta, e acabamos na praia de Botafogo, onde, sentados em um banco, conversamos ameninadades. Quando Leo começou a contar uma estória de quando tinha aproximadamente a minha idade,e de como gostava de uma menina de São paulo, e de como matou aulas e mais aulas, completamente deprimido pois sabia que a menina estava a cada dia mais junkie, percebi que quando contamos nossos problemas para o mar eles se tornam insignificantes frente àquela imensidão; e que meu problema real, que nada tinha a ver com a incapacidade de entender uma regra gramatical em francês, era de um despropósito gigantesco.

Leonardo, grande cara, me ensinou a dizer foda-se. Pouco tempo depois eu já tinha esquecido minha primeira namoradinha.

Com o correr dos anos, Leonardo e eu nos afastamos; a última vez que nos vimos foi no primeiro show do Franz Ferdinand no Circo Voador; Leonardo me reconheceu, e mostramos a língua um pro outro, com aquele jeito de moleques que acreditam no poder do cartão de crédito, matam mais aula do que deveriam, e não dispensam uma boa noite de sexta frente a uma aula da Aliança sábado pela manhã. Felizmente já acabei o curso, e olha que fiz Nancy e o caralho a quatro. Leonardo largou no meio; algo que eu, caso houvesse começado o curso da idade dele, com certeza faria.

Hoje estava pensando nele pois vi uma dos seus treze anos, com os olhos pintados de preto, conversando com as amiguinhas, com o uniforme de colégio. Essas garotas precisam de mentores pro que não presta - algo que nós, que temos free ride para irmos para qualquer lugar (não exatamente o céu, logo), precisamos a fim de capotar menos no meio do caminho.

Ainda bem que eu fui bem tutelada. E sem perder a ternura. ;)




Psycho Analisys Riot Killer.

O melhor nome para agente secreto que eu já vi.

(melhor que Falco e, blerght, Max Stell, com certeza).

Os Comandos em Ação do meu irmão eram os amantes das minhas Barbies. Penso agora que elas nutriam fetiches por homens baixinhos e vice-versa; o mais divertido era fazê-los escalar rumo ao seu sorriso babaca de lôra frígida. Mas a minha Barbie favorita, de cabelos escuros e dotada de fala era amante do Falco reedição-'95 do Ivan. E pasmem: o boneco falava também. "Você quer me fazer uma trança?" versus "Perigo! Biro!". Problemas na comunicação nunca foram um problema entre o casal.

Barbies não têm mamilos e o Ken não tem saco. Esses bonecos pra meninos pelo menos têm as coisas mais bem delineadas. O Psycho Analisys Riot Killer virá com seu próprio escritório e mini-biblioteca de Lacan. As pacientes serão barbies boazudas insatisfeitas. Nas horas vagas ele combate o mal. Etc.




O Altman morreu e eu nem acho que vou ficar muito triste, já que em seu último filme o cheiro de último é sentido longe, e isso me dá um retrato exato daquelas despedidas serenas do vovó na cadeira de balanço que pede para seus netinhos serem bonzinhos enquanto fecha os olhos rumo à escuridão.

Nem foi um filme tão bom assim, esse último. Mas tinha mesmo cara de último show; aliás, falava sobre um último show. Sem muitas surpresas, nem muitas safadezas, apenas um filme tranqüilo de se ver. Meio sem sal, é vero. Daqueles que dá pra levar toda a família. Que brega.

Ainda bem que ele fez filmes para caramba e por mais que me esforce, estou um tanto longe de ter visto a exata metade deles. Fico tranqüila, pois.

Na dúvida se presto as homenagens com M.A.S.H. ou Shortcuts.




Mais do mesmo, não é? Se fosse sempre assim não tinha tanta gente reclamando da vida. Não, não sinhô, alguma coisa está errada. Comigo? Bah, longe disso. Estou na minha, tranqüila, plena, meio pilhada porque é fim-de-período e descobri que se tirar zero na prova de sistemas eu levo dez pessoas comigo, mas até aí tudo bem: tem que ser é muito burro para zerar uma prova, nem que seja de progamação em C:. Alguma coisa eu sei fazer pra dar aquela enganada esperta, sabe? Mas os meus probleminhas não têm importância. Eu falo é do Grande Problema do Mundo, sinhô: A Ordem Sagrada dos/as Mal-Comidos/as. Por quê o sinhô deixou que eles se proliferassem, hein? Por quê encheu o Senado com eles? E as caixas de supermercado? As filas de banco? A coordenação do ciclo básico da ECO? É castigo?

Por isso, sinhô, eu peço que antes que esses Mal-Comidos/as passem a dominar a tv aberta que haja enfim a chegada de um milagre, protagonizado na forma de caralhinhos caindo de pára-quedas debaixo dos travesseiros da cama de cada um/uma deles/as. Ou isso ou o Espírito Santo. Tá valendo?

Amém.




Coro de Reclamações de Helsinki.

sing along, 'pal!





breve metáfora da contagem de notas na eco, pt 1:



(paint brush,por mim mesma)




Tomei açúcar com café e patético, fiquei ligadaça. Se duvidar sou capaz de publicar mais cinco textos hoje só pro arquivo do blog ficar cheinho. Boçal.

'taquipariu, já vi que hoje promete. É nóis sapinhôoo!¹

¹ no post abaixo, eu tinha jurado que nunca diria essa frase. Agora fiz pior, escrevi. dammit.




Alborghetti, duh. Ele mesmo. Rende trabalho da Ieda, ela quem me disse. Bah, se rende ou não tou pouco me fudendo. Mas que as praias do Paraná são uma merrrda, isso sim. Vou treinar minha pronúncia do "r" gutural com os "porrra"s e "merrrda"s dele; será útil para fazer a alegria da galera em uma mesa de bar ou no aeroporto internacional de Frankfurrrt. Aguardem.

O cão foi quem botô pra nós bebê. Grande Jeremias, clássico dos clássicos de Caruaru. Faz quase um ano que eu vi esse porra no youtube e viciei de vez. Ele e o Cabeção. Do que o Rondjacofê fala, só não incorporei no dia-a-dia o "é nóis sapinhôoo!". Sim, tenho senso de decoro. Ainda.

Minha memória foi pro saco. Literalmente, se eu tivesse um. Não me lembro de porra nenhuma além do superficial. Só não esqueço a cabeça porque está grudada. Ainda bem, porque hoje mesmo abri uma hq onde haviam ets que carregavam a cabeça no sovaco. Aliás, quem foi o cuzão que botou na cabeça de todos os seres humanos que a forma humanóide é a única possível no além-espaço? Por quê todos os aliens parecem é mais uns fetos humanos deformados do que qualquer outra coisa? Quem foi que insituiu essa mitologia? Barthes?

Alborghetti de novo, duh. Ele disse que queria mostrar a bunda na tv. O "olho-de-couro". Francamente, cu só na Hustle. E isso porque preciso recortá-la em busca de fotos com back light. Dirty things, nigga: tem um ensaio chamado "Mars Needs Pussy". Sim, marcianos humanóides cabeçudos e verdes, de all star e anteninhas, traçando uma lôraça estilo Geena Davis. Vai ver que era ela mesmo, antes de trepar com as pessoas certas. Sem ofensa, mas sem sofá não existe ascensão no show bizz. E é por isso que eu pretendo morrer pobre. E com pregas pride.

Deselegância de cu é rola, eu tava a fim de mostrar o lado podre do youtube e acabei falando mais merda que a Gimenez no superpop. "Ahhhahahaaha Luciana, VÁ PRO INFERNO!". This is the new journalism, buddie, AInda bem que eu escolhi ser editora.

(gostou? duvido que tenha. de qualquer modo, leia o post de baixo, é mais divertido do que esse)




Passou a viver só de açúcar quando viu que, no máximo e a longo prazo, daria apenas uma diabetes. Foda-se; conhecia gente que havia nascido com a tal disfunção insulímica e estava sobre-vivo até hoje. Certo que dá problemas no coração e tudo mais, mas, como já passara do segundo maço diário de LS, qualquer coisa pros próximos trinta anos era lucro. Depois, coração dá problema com torresmo, síndrome de Down e coca-light lemon com menthos. Cansou dos estrangeirismos? Pelo menos o açúcar ainda era nacional. Principalmente o café: os dois de graça, em cima daquele pedestal perto do bebedouro-ao-lado-do-banheiro, passíveis de serem misturados mais do que corpo de puta na novela das oito. Com a colher, raspou o fundo do copo.

Pegou tuberculose porque a copeira não esterelizara devidamente os talheres. Só não morreu porque atualmente, doença braba é só câncer e aids. Mas aproveitou o tempo em que ficou acamado para terminar de ler A Montanha Mágica.

Açúcar, dizia, era bom porque sobre-alimenta, sobre-mata e não engorda. Só não parecia desnutrido porque adotara uma postura heroin-chic desde os treze anos, quando a Kate Moss só cheirava e o Primal Scream ainda não havia regravado aquele grude da manhã aveludada. Com uma bolsa cheia de colheres e copos de plástico, muito semelhante àquelas que a galera do pico leva suas agulhas e seringas, raspa o fundo dos copos de café à procura de mais e mais glicose. E está muito feliz assim, obrigada.

Sua namorada recentemente ligou reclamando que ele teve uma recaída para o chocolate. Bastardo, caiu no conto da Britney... demorou, mas o convenci que o doce de cacau só dá onda para quem (ainda) carrega um clitoris no meio das pernas. Babando, dei o açúcar em doses homeopáticas. A namorada dele, que é muito boba, nem prestou atenção no momento dominatrix. Gravei e coloquei no youtube.

Só não me empolguei demais porque sacos de ossos hiperglicemizados não fazem meu estilo. De Natal, dei um saco do União extra-refinado, e ainda disse que era um cachorrinho. O problema é que ele levou à sério, e quando foi dar banho, derreteu a porra toda. O tanque está melado até hoje.

Quando a namorada o largar, sei que as formigas o irão carregar. Também, ele merce. O filha da puta passou aqui em casa e ficou derretendo o mel em uma colher, com alumínio e o caralho a quatro, só para injetar a glicose na veia. Até aí tudo bem. O problema é que ele acertou uma artéria. Sangrou mais que um porco em festa não-kosher. Desgraçado, o fogão tá manchado até hoje. Fora o cheiro de açougue. Ainda bem que senhora-a-dias usa Veja lemon scent. Odiamos estrangeirismos e a Veja mais ainda, mas nessas horas o que vale é a funcionalidade.

Só não morreu ainda porque se acostumou a levar uma sobre-vida. Mas ainda é estranho visitá-lo e não encontrar nem um saquinho de miojo, nem um vidrinho de mostarda. Falta-lhe estilo, enfim.




nós ganha poco mas se diverte.


Choro do Capeta – é uma piada sci-fi? Uma versão hardcore de Dungeon and Dragons? Pífio.

Thalita Tudo é Fornicação – seguindo à risca o título, a autora se desdobra em uma estória muito, muito mal contada. O tal sexo é desinteressante, por ser mal-contado, a despeito dos esforços por querer parecer chocante.

Uma mirada entre as Persianas – descrição de um latrocínio sem grandes atrativos, apenas medíocre.

O Segundo Desterrado - o livro conta a estória de um desterrado habitando o Brasil logo a primeira expedição de Cabral. O problema é que essa narrativa só é interessante se narrada em português castiço; falta-lhe, portanto, veracidade.

Fazendo Estória – um belo roteiro pra um filme, talvez. Mas, como livro, é medíocre.

Decanattum Operation - conservadorismo exagerado, com padres que resolvem todos os “problemas” do mundo (Pó, Marx e HIV) em trajes de James Bond. Francamente...

Um Brasileiro Chamado Bispo Macedo E Um Menino Chamado Quindinho – o livro começa com “era uma vez...”. Sem mais.

Sem título (Maurão 44) – 44 = 16 de diâmetro + 28 de comprimento. Quem dá mais?

Meu Pai é do Rio – ufanista e demagogo até o chão.

Reflexões e Poesias – a autora subestima o leitor, o tratando como um mentecapto capaz de se emocionar com seus escritos.

A Era das Vocações – o livro “O Universo em Desencanto” é mais útil para sua realização profissional e pessoal do que esse aqui.

Romance Chinfrim - título auto-explicativo. Até demais.

Eu, a Hannah e o Chico Buarque – retrato dos jovens em início dos anos 80, bastante simples, e até um tanto interessante, mas não para a Editora. Leitura leve.

Meu Self e os outros – poemas egocêntricos e batidos, recheados de chavões.

Uma Fada mudou minha Rotina – se isso aqui fosse o Cartoon Network, eu ainda engoliria.



ps: este é um texto MERAMENTE ficcional. portanto, não me encham o saco querendo saber de direitos autorais e o caralho a quatro, ok?




Nhazinha Manda e Dona Virginha não eram das mais confiáveis em matéria de disciplina. Gostavam de fazer tudo em cima da hora, e se gabavam de poderem sempre arranjar tempo para deixar tudo nos trinques - e, de quebra, ainda escamoteavam uns minutinhos para montar um arranjo das flores dos jardins só pra impressionar as visistas. Só que dia desses aí elas tiveream que apresentar um trabalho sobre Cinema Marginal em uma Jornada de Iniciação Científica, se enrolaram com os prazos de um jeito que só o Chralie Brown conseguiria, e ao invés de terminar a pesquisa, gastaram todo o dinheiro que tinham em cervejas no bar da esquina. O bom é que elas eram boas mesmo, e encheram tanto os cornos que chegaram a acreditar mais ainda, vê se pode, na capacidade de embromar uma platéia escolhida.

Hoje à noite digo se o jantar feito por Nahzinha Manda e Dona Virginha foi bom mesmo ou se as visitas cuspiram no prato em que comeram.




me deu um bicho, mas não um daqueles que carecem de tempo para cuidar coisa e tal, e sim um bicho grande, bicho-hômi, um bicho que nem pecisa mandar tomar banho nem servir o almoço que ele já sabe como fazer tudo, tudinho, sem nem derramar vinho no sofá. durante um tempo nós e o bicho discutimos um pouco, principalmente sobre o que o bicho saberia ou não fazer, e por fim, ao lhe dar uma bicicleta de presente de aniversário, levamos o bicho para o zoológico e esperamos. o bicho tomou todo o sorvete que encontrou pela frente, e não porque estava com fome e coisa e tal, e sim porque carregava dinheiro em seu bolso de trás e queria gelo, gelo descendo até barrigar, para cair de trampolim no calor das horas roubadas da noite, quando o bicho fechava os olhos e mandava, assim mesmo, todos para a cama. dormimos e o bicho estava lá, no escuro, com aquele jeito de respirar que só não dava medo porque ele sabia que ei, somos nós bichinho, somos nós; o bicho, que não era nada bobo, sabia que éramos os dois mesmo no escuro e se acalmava, às vezes ainda roncava um pouco, mas nada que não pudesse ser esquecido. o bicho escovava os dentes antes do café-da-manhã.




Pule o prefácio e a introdução e vá direto para a página trinta, ou passe rápido todos os créditos inciais e primeira parte de um musical e desande logo para o grande beijo, ou ainda esqueça da hora, chegue atrasdo no balé e pegue apenas o pas-de-deux.

Comece a festa a partir da saída do primeiro bêbado, toque músicas apenas pelo refrão, pule os sete primeiros movimentos de Shine on your Crazy Diamond e sente, extasiado, no chão.

Coma primeiro o peito do peru, raspe todo o miolo do pão, faça do café-da-manhã um almoço e do almoço um jantar.

Respire de lábios entreabertos, lave as roupas com as próprias mãos, procure pelo cheiro dela em seus cabelos, faça tudo do meio até o final, mas, agora, deite, de olhos bem abertos, antes que o sol se ponha, antes que se levante, antes que a hora seja mais do que uma grande ilusão.

Antes de pensar no final, agradece pelo sonho e pelo real. Belisca o próprio braço e dorme.

O êxtase altera, e sem receios, sua percepção do que é. Melhor que pico, maior que o mundo, e quase isso.

Uma simples reflexão do sublime.