/histrionissima histrionissima histrionissima

Ao dar o primeiro passo em direção à calçada percebeu que seu mundo se resumiria, pelo menos por um segundo, àquele pedaço de chão entre uma rua e outra. Tudo o que se escondia atrás de portas, venezianas e edifícios garagens constituíam algo não-existente, muito embora soubesse que provavelmente haveriam crianças assistindo televisão em seus quartos do tamanho de lavabos ou escritórios de advocacia cobertos de livros mofados. Não podia vê-los contudo, quanto mais senti-los: duvidadava logo se estariam simplesmente lá e não ali ou em qualquer outro lugar. De repente o mundo adquiriu um formato transcendente assutadoramente claustrofóbico, já que apenas o raio do que os olhos vêem significava, para sempre, tudo aquilo que poderia se chamar de vida, átomo, matéria, ser. O que se passava em suas costas lhe era desconhecido; talvez, se possuísse um olho na ponta do indicador esquerdo conseguiria não ter de adivinhar sempre o que lhe espreitava, seja um abraço bom, seja um moleque armado com um estilete de papelaria, ou até um grande amor já esquecido. Paralisado, percebeu que até os carros, essas gaiolas de ferro que instiam em molhá-lo e fazê-lo lamentar todos os dias a falta de dinheiro, esses mesmos carros possuíam quase todos vidros fumê, tampando a visão do seu interior e colocando os motoristas no plano do não-existente. Seriam um ser apenas? Acreditando apenas no que seus olhos viam jurou naquele breve instante entre um segundo e o resto do dia que nunca mais piscaria.

Entrou na farmácia mais próxima à cata de um colírio barato.




Quando estavam entediados reuníam-se, em grupos de cinco ou seis, em torno de uma mesa de plástico, e lá bebiam cervejas de qualidade mediana a goles largos enquanto contavam estórias um tanto desconexas sobre a vida e tudo mais. De vez em quando um deles levantava o dedo e vomitava uma espécie de manifesto pró-barbárie, com uma energia que logo contaminava a todos sem porém surtir efeitos mais imediatos do que uma breve descarga de adrenalina coagulada. E foi assim mesmo da última vez em que se reuniram. Foram a uma espécie de adega em um beco na Lapa, onde beijos ousados são proibidos e o vinha da casa é sempre uma delícia. Sentaram-se em bando, todos de preto, todos calados, e sussuraram algumas breves palavras incompreensíveis antes de se decidirem por lula frita e sardinhas portuguesas visceradas. Deram um daqueles meio sorrisos que só os mais espertos consegeum desprezar e chamaram pelo garçom.

Ao cair da noite, todos bêbados e a adega vazia, rasgaram a camiseta do partido comunista e choraram amargamente no avental de um dos funcionários da cozinha. Reclamaram da vida, e mais uma vez tentaram se animar, mas era impossível. Se aproveitando do estado do bando, um garçom resolveu se apresentar. Seu nome era Jair e era professor de forró. Não largava a profissão de garçom porque dava muito mais dinheiro do que a de bailarino.

A informação constituiu um aposto inúltil na vida daquele grupo. Pagaram a conta e, pernas trêmulas, resolveram encarar umas doses de tequilla.

De manhã já andavam separados, cada qual com seus cigarros de marcas diversas e sapatos de um gosto no mínimo duvidoso. Alguns falando sozinhos e outros falando com desconhecidos, sempre banais, sempre tristes.

Sempre ridículos.




Lucía e o Sexo é um filme cheio de vantagens: quando você chega ao final de repente cai em um buraco e volta ao meio, onde tudo pode ser mais bonito e bem-feito. Me deu vontade de vivê-lo como na época em que assisti pela primeira vez Amèlie Poulain. Ou então As Asas do Desejo. Pão e Tulipas.

De tão bom que é o filme quase senti vontade de chorar, e olha que foi só porque achei bonito. Lindo de doer. Não, não é um filme que foi dirigido e coisa e tal. É uma narrativa audiovisual escrita. Com câmera com o shutter estourado, trilha sonora impecável, aquela coisa meio mágica meio realista, e um rapaz que faz aniversário no dia 23 de Maio.

Pra quem gosta de contos pra se ler no metrô, sexo selvagem e tem uma quedinha confessa praquilo que convém chamar de "alternativo".




Concentro todos meus esforços futuros à cata de uma nova praia. Procuro um lugar idílico onde, além de poder correr pelada com alguns amigos fofinhos e brincar de mico-leão dourado em cima de três coqueiros semipodres, poderei me banhar em águas limpas e, quem sabe, nadar até a África. Gostaria que essa nova praia surgisse de um banco de areia em Ipanema, tecendo uma trilha branca até aquele ponto do oceano onde a água é limpa e dá pra levar à sério as letras dos Beach Boys.

Claro: levando em consideração que apenas durante um certo período da madrugada o tal banco de areia será "caminhável", a praia nunca se tornará um resort digno das férias de Chaves em Acapulco, sendo apenas um refúgio particular onde eu e mais uns cinco amigos fugitivos do nosso egoísmo ouviremos em nossos i-pods (previamente compartilhados) o murmúrio das ondas em tinas d'água de Kuala Lumpur. Espero que até lá pouco nos importe donde vêm as tais tinas d'água, e com qual microfone captaram o som tão cristalino, tão puro, tão límpido, tão aiquelindo. Provavelmente, o barulho vem é de uma caixa d'água infestada de lavas de aedes egyptis em Quintino...

...nesse banco de areia-praia daremos as mãos e discutiremos apenas o não-ser, o não-estar e o não-sentir, com cuidado para não entrar em questões que firam o ego alheio, como o não-querer, não-pensar, não-menstruar, etc. Enfim: a nova faixa de areia, branca e linda, será o repouso do meu sono lento, onde abrirei os braços e brincarei de desenhar anjinhos ao mesmo tempo em que observo as gaivotas carregarem diligentemente pedaços do passado, os levando para trás das pedras, atrás das ondas, atrás do sol, atrás da lua, atrás de Marte e Vênus e quem sabe até de Júpiter. Fico com preguiça de acenar - aliás, que espécie de retardado acenaria para um pássaro? - e sem querer percebo que estou conversando de mansinho com uma menina morena, do cabelo sujo, quase da minha idade.

Essa menina tem um abraço muito, muito bom e uma risada fina e alta que ribomba feliz dentro dos meus ouvidos. Ela me fala sobre o ex-namorado, sobre o atual namorado, sobre quem ela pensa que é namorado, e enquanto me fala sobre os males do coração meio partido eu sinto vontade de ser terrivelmente egoísta. Mas me controlo. Quando ela pergunta minha opinião, eu nada digo, pois tenho medo de feri-la. De qualquer modo, creio que é egoísmo guardar sua opinião sobre um assunto pessoal. Principalmente quando a pessoa está terrivelmente curiosa por opiniões alheias e se encontra emersa em um manto grosso, antigo, surrado, de ansiedade. Quando abro a boca saem porém duas cobras d'água e uma lagartixa magra, sinais inexoráveis de que era melhor ter me mantido calada, e meio que desvio o assunto para o rapaz com quem eu gostaria que dividisse o coração comigo.

Com toda a gentileza possível preparo o meu tato e na ponta da língua desfilo minhas dores com tanto medo de soar chorosa que quase sempre parece que não ligo. Usando minha própria experiência faço o que de melhor pode se fazer com uma menina do coração doído, e digo uma ou outra frase sobre o que aconteceu, o que não aconteceu e o que não era mesmo pra ter acontecido. Nenhuma das duas se sente melhor depois da conversa contudo. Alívio não é cura; quando seca o veneno de nada serve o soro ofídico. Abrimos as pernas no meio da areia e falamos algo de bobo, desinteressante, algo que soe como roupas caras e comida em bons restaurantes. Mas de quê adianta? Repouso a cabeça no coração da menina e ela suspira.

O mar sobe de repente e nossa praia some, junto com seus três coqueiros semipodres, as gaivotas intergalácticas, nossas roupas e os i-pods.

Alguém sabe onde a praia foi parar?




Semanalmente sou obrigada a dar uma olhadinha na revista Veja. Costuma ser o momento feliz do dia. Eu não leio nada pois partilho da opinião pós-adolescente de que os fatos são tão manipulados que não adianta nem tentar se informar por aí. Mas gosto de olhar as figurinhas e checar a sessão de música e livros, além das crônicas - essas sim, expressando pontos de vista, ou seja, manipulação assumida,dammit! ? e uma parte que considero simplesmente hilária: a sessão sobe-e-desce.

O tom burlesco da revista é assumido em uma balança que mede, de forma sumária, o desempenho de pessoas (físicas ou não) tão aleatórias quanto a cor da meleca na ponta do seu nariz. Claro que o prato do sobe dialoga com o prato do desce. Afinal, já vi coisas do tipo "ebola" no sobe e "laboratórios de nanotecnologia" no desce.

Escatologia com tintas sensacionalistas? Pior que isso. A sessão sobe-e-desce da Veja é um retrato da própria revista. Basta olhar as últimas capas para entender. Aliás, que porra de designer é esse que eles contrataram? Iluminação de novela mexicana e efeitos de photoshop logo de cara? Arght.

Por essas e outras que amo tanto a BRAVO!. Aquele projeto gráfico é fantástico, simplesmente um luxo. Parece até, ahn-han, o histrionissima . E foda-se quem não valoriza a beleza de uma folha de papel bem diagramada; a essas pessoas falta no mínimo tato. Afinal, considero ofensa grave quem não gosta de Arial, Verdana, Georgia, Myriad web ou Garamond (para textos acadêmicos é puro luxo) e se contenta com uma Times New Roman lambuja ou uma horrível Courier New. Que nojo.

A Veja precisa urgentemente de uma orientação menos brega para suas capas. Ou então transformar a sessão sobe-e-desce em simplesmente hype-e-lastweek. Juro que dá no mesmo.








A ECO é um suicídio lento. Você está de olhos vendados e com a corda do pescoço. Sua família está orgulhosa pelo seu martírio. Ao longe, grandes festas regadas a vinho tinto e um porco estilo Astérix e Obelix sendo comido por membros da reitoria. Está nevando cocaína, mas ao condenados é negada a regalia.

Quem empurrará o banquinho é um burro manco. Com a cara da Janice.




Foda-se a política. A careca do Alckmin e a cegueira do Lula são tão importantes para mim quanto o peido das ovelhas australianas e o pau de um hamster com mais de doze anos de vida. Ontem eu deitei no chão da São João Batista antes de ir para a Matriz e senti um vento gelado cortando minhas orelhas ? e isso é tudo que consigo entender da vida. Sei uma meia dúzia de palavras bonitas, provavelmente o mesmo número de receitas de cozinha, livro a cara do meu irmão mais novo por ter matado aula e me entupo periodicamente de frango frito sem engordar um quilo: coisas que não tem a mínima importância quando você toma pico. Ou quando você gosta de sorrir. Que é o meu caso.

Eu escolhi viver isso. Sei o que não devo por motivos que me transcendem, raspam mas não me atingem, e mesmo assim... é! Um punhado de estórias na cabeça. Um trabalho divertido. Muito tempo livre. Minha consciência é mais leve que a de um periquito, com a certeza de que não, eu não cago nas cabeças alheias. Pelo menos não ainda.

Acho graça de quem vê intensidade na vida. É de uma morosidade sem limites ver tanta freneticidade; coloca o pó no meio da pista e cronometra a velocidade da cheirada, vira-vira-vira, você quer então vam'bora que agora é hora. Bonito ainda pensar nisso com a máxima dos reis da conveniência: prefiro dançar com você a falar com você. Estou contando já os dias para começar a chorar de saudades ao ouvir essa canção. Mentira.

A vida está aí pra ser vivida. Graças a Deus. Que nem a primeira fornada do dia. Ok, a segunda. Faz sentido?




Não que as visões de minha decadência latto sensu sejam de todo deprimentes. Pelo contrário. Desejo me acabar em alguma festinha de vícios, regada de excessos e provavelmente consciente de que não deveria estar lá, fazendo todas aquelas merdas que um dia, provavelmente após recusar minha segunda ou terceira proposição de noivado, me arrependerei amargamente. Espero contudo que nesse tempo já tenham reconhecido que o conceito de Vida é múltiplo e que é possível existir sem necessariamente implicar a organização de uma sociedade por estratos envolvendo idade, cor, sexo, herpes e bocetas na testa, ao mesmo tempo que creio estarmos irremediavelmente isolados, por um bom tempo, de outros seres das estrelas. Seu nojo deriva da carne, e é até certo ponto compreensível, porque não me imagino falando com um pedaço de alcatra principalmente quando se trata de alcatra moída e sem pelancas. Se bem que devido ao aumento dos preços nas Sendas algumas pessoas devem ter desenvolvido certa afetividade...




Aos doze anos ouvindo heavy metal escondido no quarto de uma amiga Otto sabia que os caras do Hermes e Renato eram de Petrópolis mas tinha prazer em chamá-los de paulistas. Sentia também vontade de trepar com aquela sua amiga apesar de ser mais uma gordinha da cara estourada que ainda não menstruava mas se conteve e esfregando a braguilha da calça observava as perucas dos comediantes na padória televisiva. Os olhos vermlhos presos na guitarra fender do pai da menina Otto acendeu seu primeiro cigarro e tossiu no primeiro trago enquanto no andar de baixo as crianças riam do coiote suicida. Soltou um porra e antes que se desse conta do seu primeiro palavrão bem falado ouviu um caralho e levou um beijo muito do mal-dado no canto dos lábios. Abriu um pouco a boca e meteu a língua mas soltou a amiga quando percebeu que sua baba já batia na sua panturrilha. A menina abriu sua braguilha e pegou seu pau mas conteve a risada porque era uma garota fina. Levantou a saia e mostrou os pentelhos e a calcinha caralho ela era tão bonita...

... esfregou na cara dele a boceta que de tão quentinha fez Otto sentir falta das tias da mãe e das sobrinhas. Menina de classe esperou ser lambida mas Otto era tão moleque que nem isso sabia. Saindo de cima tirou o Cradle O'Fitlh e trocou de canal colocou o Sting e esperando que Otto percebesse o sinal desceu o sutiã para ficar ainda mais atrativa. Otto cismou que ia trepar com a camiseta do Stratvarius e ignorou a mão gorducha que em vão tentava mostrar seu peitoral sarado. A menina pegou com a boca o seu pau e deu uma chupada tão bem dada que antes de meter Otto gozou. Sozinho demorava um tempão, mas com ela, ah querida, foi só questão de saliva. Soltando um me fode porra Otto se viu na iminência de paudendurecer e comer a boceta daquela vadia. Assim tá bom vira que mexe de quatro do you wanna more bitch?

Foram os cinco minutos de trepada mais trash da vida daquela menina. Otto acendeu seu segundo cigarro e escarrou no segundo trago enquanto lançava o olhar mais apaixonado que existe para os peitinhos daquela tesudinha.

Saindo virgem da sua primeira trepada foi ao lavabo e com uma escova de dentes tratou de furar o hímen. Otto até hoje leva a fama de ter comido a gordinha.

A ignorância é uma benção para a dominação masculina.




Vou-me embora meu bem que o dia já vai nascer
E muito embora eu desejasse abraçar você e tudo mais
Deixarei isso pra lá

Segurando sua mão bem junto à minha eu
Largo
E deixo cair da mesma forma que uma lágrima
Um olhar de raiva reprimida e tanto desgosto
Que não se sabe mais a diferença entre um naco de carne crua
E o seu gozo.

Deixarei isso de lado da mesma forma que sorrio quando o gosto é amargo
E tento cozinhar a fogo lento em um dia frio
Chocolate quente e queijo coalho
(suspiro).

Saudades dos dias quando eles eram mais compridos
Vazios
Muito embora goste da noite quando cai cedo
E o dia amanhece acanhado
É que a noite é para os apaixonados
É fato.

Vamos embora meu bem que o dia já vai nascer
E muito embora estejamos assim tão calados
Palavra pra quê
Um adeus mudo é um adeus bem dado.




O menino com as pantufas de dinossauro
dizendo graaaaaaau
Menino sabe que a casa é de um amigo
Menino da patinha peluda agora é Godzilla
Perfeitamente acordado de madrugada
Assustando os convidados
Graaaaaau.


Quero ter um filho.
Trinta anos e um apartamento pequeno. Gente feliz ouvindo soul music e fumando comigo.Emersa em uma tranqüilidade falsa e sem limites, com meu pequeno passeando durante uma festa, roubando as coisas escondidas no baú do meu amigo,

e dizendo graaaaaau.

Os filhos são para as mulheres maternais. Eu quero um filhinho que cresça e diga que me ama e me odeia aos doze anos para casar com uma vadia simpática e me dar netinhos. Ou então que se torne um dramaturgo - completamente viado. Eu quero um menino e não uma menina para passear entre minhas pernas e segurar a minha mão e dizer "mamãe, eu já tomei ácido". Quero essa felicidade do bebê gritando pela madrugada e perguntando "tóteunome?" pensando que nem um homem. Quero um filhinho que roube as pantufas verdes de um amigo

dizendo graaaaaau.

Quero muito mesmo ter um filho.




e precisa de mais?




Cheguei cedo demais na ECO. Vi você passar, mas foi rápido, rápido demais. Acompanhei pelos corredores, até peguei um atalho pra ver se conseguia alcançá-lo, mas foi em vão. Talvez eu devesse ter gritado; de qualquer modo, você ia com tanta pressa que tive certeza de que não teria companhia para o almoço ainda na porta de entrada. Que seja.

O show que eu ia ver foi cancelado. Não há viv'alma por aqui e o sol está quente, muito quente. O sol me lembra a camisa amarela que você gosta tanto e seu cabelo, que cisma em crescer para os lados. Antes eu achava feio, esquisito; agora só acho graça. Minha vontade era correr mais rápido e fazer o mesmo que você fez comigo outro dia: chamar e dar um abraço. Estou sem voz porém, e bastante cansada.

Andar debaixo do sol de meio-dia é um suplício. Você deve odiar esse sol tanto quanto eu, ou até mais; afinal, até onde eu sei só de madrugada à praia você vai. Aliás, guardei todas as conchinhas que catei em Ipanema dentro de um aquário bem pequeno. Não são lembranças que eu associo à você assim, diretamente, mas fazem parte da memória dos anos da Praia Vermelha. Assim como todas aquelas músicas que você tocava na Rádio Interferência.

Essa semana faz mais ou menos um ano que conheci todas as pessoas que posso chamar de amigos dentro da universidade. Daria uma lista bonita... por ordem de chegada, fica o André Duchiade e o Tiago Villas-Bôas, a Luisa Clements e os trinômio Millos-Bruno-Pedro, a Anna Virginia e o Ricardo, o Diogo Cunha e o Rafael Arbusto e o Carbone, o Gabriel Monteiro e o Chico e o Igor e todos aqueles amigos de amigos, o Pedro Acosta e a Crolinegê.

Você fica no meio. Virado um pouquinho para o lado esquerdo.

Houve um tempo em que olhava para você sem sentir nada. Na verdade, esse negócio de gostar de você data de quantos meses? No máximo uns dez. E olha que me esforço muito para não pensar em você. Como se fosse assim: estalar os dedos e plim, desgostar. Mas é muito difícil. Porque eu amo você e você sabe disso.

O problema de querer alguém pra si é a esperança de uma resposta positiva. Eu acho feio seus dentes da frente meio separados e a barba castanha-preta-ruiva. Também acho você baixo... estranho e muito menos extrovertido. Talvez eu pense tudo isso só para me fazer de difícil. Para dar um corte abrupto no fio da lembrança e outras metáforas menos instruídas.

Agora tanto faz. Vou é cuidar da minha vida.




Nesses dias de marasmo no estágio eu inventei algo pra brincar.

O Triste Conto da Infanta Ana Juaquina é cordel feito em folha de papel A4 e caneta da ponta fina pra mó de ser guardado no bolso e levado por essa longa vida.

Tem pouco menos que o tamanho da palma da minha mão e é dobrado de um jeito muito doido, com o verso em branco pra quem quiser usar de embrulho ou papel de carta.

Na foto ele está fechado, mas quem quiser ver na mão é só pedir que eu terei prazer em copiar.

É ópera em dois atos e ainda não foi terminado. Quando acabar transcrevo os versos e vou tentar a sorte de publicar.




Nem sempre vi de perto o que era pra se crer de certo - exemplo clássico é a tuberculose - e por causa disso erro. E de vez em quando piso feio mesmo, chafurdo na lama e penso que vejo a cara do inferno quando na verdade não passou de fogo de palha. Rio então, junto os pedaços de louça caídos no chão e remonto os caquinhos, pouco a pouco, um a um, pedacinhos e tal. Não que eu erre todos os dias; na verdade, tomo tanto cuidado com o que digo e faço e penso e refaço que sobra pouco espaço para pensar em errar. Meu último erro foi, creio eu, ter pintado os calouros com minha saia francesa made in brechò. O outro erro foi justamente ter saído à noite com a garganta mais pra lá do que pra cá. Sim, eu também errei quando decidi comer um hambúrguer com fritas e limonada quando tenho pouco dinheiro na conta (e uma dívida um tanto grande pra pagar). Também errei quando liguei o computador pra ler os blógues que mais sinto prazer em stalkear, da mesma forma que vacilei há alguns dias atrás quando decidi não tomar antibióticos quando o vírus começou a se mostrar.

Porém, em todas as situações citadas, quem acarreta com as consequências sou eu e somente eu. Por exemplo: senti dor na amígdala esquerda e deixei pra lá. No outro dia, quem doía era a amígdala direita. Ontem, tive febre e a laringe toda inflamada. Agora a dor está descendo pela traquéia rumo ao pulmão. Quer doença mais loser do que essa?

Creio que meu maior erro ainda é achar que está tudo bem quando não está. Otimismo com uma crosta de cinismo tão absurdamente grossa que chego até a acreditar. Como, por exemplo, a crença infantil de que poderei tranquilamente voltar ao meu meio maço diário de Camel sem maiores problemas acarretar. Sou tão engraçadinha...




Mais um dia do trote. Mais calouros sem nome nem rosto perdidos numa celebração bizarra. Mais espetáculos sem sentido algum - torturados e torturadores - com direito a ondas de felicidade, prazer, e nojo.

Vou beber meu dinheiro todo, tá na cara.




O Peninha era repórter do Diário de Patópolis, do Tio Patinhas, que fazia frente à Patranha, do Patacôncio, nas edições em língua portuguesa e italiana do gibi O Pato Donald, da disney (duh). Olhando o Peninha bem de perto me lembrei de um amigo meu que me disse ontem à noite que queria ser correspondente de guerra ou jornalista em uma publicação da imprensa marrom. Não teve como não pensar no primo desmiolado do Donald. Até porque eu achei o Profissão: Repórter do Antonioni um filme chato, chato, chato, muito chato, e falar da Fátima Bernardes no universo da ECO equivale a xingar a mãe.

Se bem que o Peninha tá mais pra Hunter Thompson que pra global...

Peninha mora no meu coração. I wanna be o pato magrelo das penas zoadas. Um dia.




A rosa mais bonita que já vi; não muito fechada, nem amarela nem vermelha, assim, manchada, cheirando pouco à coisa boa. Passou por uma tempestade, talvez duas... passeou de carro aberto umas tantas vezes; mas, de qualquer jeito, gostava era de água e vento mesmo. A florzinha me fez pensar: meninas louras e pequenas são rosas amarelas em botão. Meninas morenas e altas são rosas vermelhas semi-abertas. Meninas das bochechas rosadas são rosas chá na plenitude. Meninas pálidas do cabelo escuro são rosas brancas, com as pontas queimadas de sol.

Meninas, meninas, meninas... a rosa mais bonita que já vi no fundo não me lembrava nenhuma de vocês. Uma coisinha rara, rara mesmo.

Pena que vá murchar em dois dias.