/histrionissima histrionissima histrionissima

O pânico dessa manhã de domingo envolvia a pronúncia do meu nome. Normalmente não perco tempo com digressões envolvendo meu primeiro nome; na verdade, quando penso em mim mesma o conjunto de letras da certidão ne nascimento não tem importância alguma. De repente, percebi que me chamam por uma palavra composta por três vogais iguais, que com uma pequena troca entre as consoantes de transforma em banana. Ou no horrendo Samantha. Fiquei apavorada com a possibilidade de também ser chamada apenas pelas duas últimas sílabas, que transformam meu nome em simplesmente a terceira pessoa do presente do indicativo do verbo mandar. Pensei então em mim; o conjunto de linhas que me compõe, meus gostos, família, tudo mais. Será que meu nome fazia jus a mim? Minha personalidade, meu eu? De repente, me vi aprisionada a um conjunto de seis letras que não possuem significado maior que compor um mero vocativo por meio do qual serei chamada por toda minha existência.

Entrei em pânico por alguns segundos. A vulgaridade do meu primeiro nome foi então suplantada pela sensação amortecedora do esquecimento. Tratei logo de cuidar do meu dia.




Era uma praia. Nessa praia, ou parque aquático, que seja, havia uma caverna. As duas meninas que entraram comigo conversaram com a caverna, e entraram em uma espécie de transe quando respondiam à pergunta "quem sou eu". Ou algo do gênero. Pelo menos não era um quarto alienígena, como em Stalker, que realizaria os desejos mais profundos em seu ser...

...enfim, a primeira menina respondeu rápido à pergunta. Ela era evangélica. A segunda respondeu enquanto brincava com um cachorro peludo. Ela confessou algo sobre solidão. E eu não quis responder. Saiu do escuro da caverna uma mulher de 40 anos, com aparência de junkie da europa oriental. Ela disse ser uma freira.

Perguntei a quem ela servia. "A deus". Porra, a voz da caverna era deus.

Eu falei para a freira que só ajudava aos outros porque era egoísta. No fundo, meu egoísmo é tão profundo que acredito em caridade.

Acordei então com uma mensagem no celular às 3.48 da manhã. Misticismos e outros elementos da mitologia hebraico-cristã aflorando nesse fim de mês.




Aqueles envelopes de papel pardo para se guardar documentos, sabe, só que com plástico bolha por dentro. Ideais para se mandar coisas que quebram pelo correio. Ultra seguros, dá vontade de colocar nas mãos e usar de luvas; além do mais, vêm com uma faixinha adesiva, livrando terceiros de sujarem o dedo com cola.

r$ 1,40, na papelaria mais próxima de você.




Aparentemente, com sono (ainda). Mau-humor. Quase insuportável, sabe? Mas com muitíssimas reservas. E still your fag.




is there any possibility of living without lips?




Não adianta. A Björk será sempre minha anã-maluca. Mesmo no shuffle das 2799 músicas no meu itunes, ela é a mais tocada.

A família desaprova, mas quem disse que eu escuto? Favorita, lisérgica, coisa da infância. Biórca.




Em pouco tempo virará um delírio indie importado para o telecine com algum trailer esdrúxulo; até lá, Eu, Você e Todos Nós será um dos filmes mais adoravelmente performáticos que já vi.Tentando evitar todos os lugarers comuns em qualquer textinho average sobre cinema (nota 10 em linguagem audiovisual - em moto contínuo depois de todas aquelas resenhas), vou falar um pouco, mas só um tiquinho, da cena em que dois semi-desconhecidos vivem uma vida inteira atravessando um quarteirão.

É coisa boba, mas quem nunca brincou de amarelinha? Pulamos não sei quantas casas do céu ao inferno com direito a duas casas, par em par, que exigem um salto - e é normalmente nesse salto que caímos. Na cena citada, Richard e Christine pulam sua amarelinha. Do inferno ao céu. Na verdade, o céu é um passarinho de papel em árvore verde. E um abraço por trás.

Açucarado e cor-de-rosa? Sem dúvida. A cara do meu primeiro roteiro... ainda assim, amargo e cinza. Só vendo.




Provavelmente estão todos mortos, ou perdidos em alguma cidade no meio das montanhas contando uns para os outros estórias dos parentes no Rio de Janeiro, Böhn, Marselha, Boston e, quem sabe, ainda n'Angola. De todos nessa foto, a única imagem que ainda guarda alguma semelhança, provavelmente "fenotípica", com a minha mãe é a segunda senhora da esquerda para a direita. Até a cor dos cabelos é a mesma (minha mãe pinta os cabelos de preto desde os 20 anos). Quando olho para essas pessoas fico imaginando as relações com todos os outros parentes que ficaram, e embora não consiga me lembrar de um nome sequer, vejo os pais do meu tataravô, irmãos bastardos, separações, problemas mentais após tantos e tantos casamentos consanguíneos e um e outro rosto que refletido no dia-a-dia. A primeira moça da direita para a esquerda lembra estranhamente minha avó, assim como o rapaz protado ao lado da mãe é um reflexo igualmente calvo do primo Rogério. Todas essas pessoas sumiram no tempo e fazem parte de um ramo misterioso do clã que se bifurcou na déc. de 30, de modo a conservarem agora tênues laços de parentesco comigo e um outro ramo da nossa pequeníssima linhagem concentrado em São Paulo.

Olhando a foto uma última vez me convenço que, na verdade, nenhuma destas pessoas existiu.




Burocracia rima com idiotia que deveria rimar com mulher-gorda-morta-na-piscina.

Mas até que foi rápido. Só precisei ir de casa até o departamento do trabalho e subir a rua das Laranjeiras de novo até a caixa econômica tirar meu comprovante PIS e depois voltar até o departamento de trabalho e retornar para casa porque tinha esquecido a xerox da minha certidão de nascimento e depois voltar ao tal departamento de trabalho e emendar com o Detran e pagar uma taxa no Itaú e tirar minha nova identidade.

O lado bom? Minha foto na nova carteira de identidade será um sucesso. Quase tão boa quanto a "pescoço torto" dos treze anos. Aguardem.




Não me importa se o bonequinho aplaudiu ou não de pé, nem se o pop italiano da década de 70 é mais brega que Cauby. 5X2 (cinq fois deux, ou cinco vezes amor) é um dos filmes adultos mais lindos que já vi.

Ao contrário do que se lê por aí, a estória NÃO é narrada de trás pra frente imitando o já clássico "Amnesia"; lembra, no máximo, aquela crença de que quando estamos para morrer vemos nossa vida em retrospecto pouco antes do nosso cérebro apagar. A morte nesse caso é o divórcio do casal. Ou o fim do amor.

Ozon acertou na mão. Não fez um filme comprido, muito menos aborrecido. É, no máximo, doído. Sem falar do trabalho dos atores ( Valeria Bruni-Tedeschi e Stéphane Freiss, na foto). Rostos semi-desconhecidos dão a qualquer filme gosto de vida. Um exemplo são as produções dos irmãos Dardene. Aliás, eram atores mesmo?

Pessimista, romântico, triste... e o melhor, sem a Meg Ryan.

Quem puder, assista. Não creio que vá se emocionar. Mas vai rolar uma catatonia.




¿què dícen los pajaritos mamá?

eles dizem piú. piú de piiiiurriteiro.

piiiiú
r
riteiro

eles dizem mar. mar de maaarrrrrrecas.

maaarr
r
rrecas

e eu que amo você. e eu que amo a mim mesma. e eu que hoje acordei vendo meu sangue descer e pensando no filho que uma dia poderia ser. um menino, de preferência. com os olhos castanhos grandes e cabelos em cachos escuros. ou uma menina de cara redonda. igualmente cacheada.

e eu que acordei pensando que passeava com a criança. e eu que sonhei que estava só no hospital. totalmente só. você que não quis ir à maternidade. o bebê de tão pequeno nem chorava... os cabelos ruivos e louros e castanhos crescendo soltos pelos ombros.

e eu que sonhei que você ia embora.

e eu o quê mesmo?

¿què dícen los pajaritos mamá?

eles cantam Paolo Conte.

pahpahpahrá
pahpahpahrá
tehdedhdeh...




Teremín confessou que não gostava nem um pouco de tremer pouco antes do relógio soar as oito. Quando os sinos vibram Teremín se contorce de um jeito esquisito,e enquanto todos da casa ainda dormem, clama para si mil vozes de fantasmas e dibbucks que se prendem em suas antenas de metal. Quando tudo está parado, Teremín teme o soar das novas badaladas.

Ninguém pode chegar perto de Teremín senão ele chama sua alma para si. E, no fundo, ninguém gosta de ser roubado por um Teremín.




Ontem fui a uma palestra sobre Beckett. O palestrante era um diretor de teatro dos seus cinqüenta e poucos anos, com sotaque paulistano. O ator convidado era o Ricardo Blat. A primeira peça infantil da qual me lembro era estrelada pelo Blat. O nome era "A nova Roupa do Imperador". Eu era a criança sem-noção que gritou "tá pelado, tá pelado" no teatro Gávea. Mas isso não tem importância.

Beckett é coisa antiga cá comigo. Aliás só fui me interessar por Beckett depois de um pesadelo. Nesse pesadelo eu estava casada de novo com o cara louro baixinho, e nós tínhamos acabado de voltar de uma festa. Só que começavam a chegar desconhecidos em casa. Até que nós acabamos sendo expulsos de casa por um padre que usava hastafári. Só nos encontrávamos 70 anos depois em uma estrada coberta de pó. Aquela era a nossa casa. Acordei desse sonho e pensei "agora posso ler Beckett". Eu tinha doze anos.

Minha mãe diz que tem diálogos beckettianos com meu irmão.

(.e vai e volta e você não acha que vamos parar você não sabe denada e o quê isso tem a ver com alguma coisa o quê vai e volta e você não acha que vamos parar você não sabe de.)

Eu não acredito nela.

Beckett gostava de Jung. Uma frase que resume todo Beckett é de Jung. Jung diz que na verdade nem nascemos quando morremos. Beckett diz que quando nascemos morremos e quando morremos nascemos. O tempo é redondo. É vertical e vertiginoso. Joga fora o tempo plano que isso é mentira.

Eu quase dormi na palestra ontem. Mas vi um rapaz muito bonito. E isso me deixou feliz. Porque eu acredito.




Ida - Late Blues





Durante algum tempo mantive amigos por correspondência. Internet era artigo de luxo, ainda mais para moradores do interior, e minha família até hoje apresenta uma relutância gigantesca em ceder aos encantos do mundo virtual. Em um mundo pré-messenger, orkut e blogspot, eu costumava manter relações com a exterioridade através da escola e algumas revistas na época consideras interessantíssimas, como a [ZERO] e a RockPress, onde na área de "contatos" por vezes encontrava pessoas interessadas em conhecer outras que gostassem das mesmas coisas que elas, e assim estabelecrem uma relação de cumplicidade à distância relativamente autista. Como solidão é palavra de ordem lá pelos quatorze anos, decidi trocar cartas com um rapaz que se dizia cartunista e na longa de lista de interesses aparecia a palavra "Sandman" além de referências esparsas ao new age e uma ou outra banda punk estilo Buzzcocks.

Posso dizer que nunca uma relação à distância foi tão frutífera. Na onda de Nick Hornby e seu delicioso High Fidelity, trocávamos fitas um com o outro. Nessa brincadeira, recebi b-sides de Billie Hollyday, Velvet Underground, Kinks, Elastica... tantas outras faixas que compuseram uma espécie de trilha sonora para aquele comecinho dos anos 2000. O pior é que não era possível conversar com ninguém sobre The Smiths ou até mesmo o então-desconhecido White Stripes, banda que eu endeusava lá pelos doze anos, tamanho era o déficit altie naqueles idos. Mas a solidão indie era suprimida pela composição de uma hq curta, na qual contava a estória de uma banda que tocava covers de My Bloody Valentine. E nada de torcer o nariz; eu era uma mocinha que ouvia Belle & Sebastian e Tori Amos com tanta seriedade que chegava a organizar meu guarda-roupa em função das musas.

O máximo que consegui em se tratando de conversão de terceiros para o maravilhoso mundo do-que-não-se-escuta-na-rádio-cidade foi convencer uma amiga minha, fã de baile de charme e funk James Brown, a escutar toda a sensualidade branquela de Beck Hansen do Midnite Vultures. Com a boca cheia de biscoito Bono, andando pela rua, cantando:

"I think we're going cray
things don't even phaze me
her left eye is lazy
nicotine and gravy
miracles amaze me
she looks so israeli
love the way she phrases me
I think we're going crazy"

E o refrão, "I don't wanna die tonight, I don't wanna die tonight", repetido em uma velocidade tão alta. Pois é, durante algum tempo minha vida foi um pipocão adolescente da Sony. Confesso que foi divertidíssimo.

Voltando porém ao tema principal - amigos por correspondência - digo que devo o cerne da minha formação musical a esse rapaz de São Paulo. Faltaram-me irmãos mais velhos e amigos com de calça xadrez e óculos de armação preta durante a adolescência; portanto, a sensação de experimentação de algo desconhecido, e por quê não, cool, devia-se a alguns momentos mágicos durante a semana, como:

1) andar pela praça XV sábado à tarde
2) fumar o primeiro maço de Camel
3) deixar de dormir para escutar música (que nem o Hans Castorp)
4) ler A Montanha Mágica, claro
5) fazer o top 10 da semana na Aliança Francesa
6) cinema, teatro, etc
7) comprar revistas na banca de jornal e lê-las na esquina de casa
8) acho que só

Sem dúvida essa foi minha fase mais indie. Muito embora eu ouvisse U2 a ponto de ter a coleção inteira dos álbuns do grupo (detalhe, em CD e LP), comecei a comprar os primeiros álbuns da Chan Marshall, um tiquinho de Björk, e antes dos dezesseis anos... deixe-me checar aqui no meu itunes... é, antes dos dezesseis aninhos eu tinha todos os cds do Yo La Tengo.

Não, não considero tamanho vício musical saudável. Tudo começou com aquela fita que recebi pelo correio. Foi assim comecei a pular com outra coisa do Pixies que não Here comes your Man. Era por isso que matava aula para conversar sobre meninas e meninos com a garota que me deu o primeiro cd do Placebo. Eu me estraguei cedo demais.




Há de se reconhecer que esforço não foi a falta de minha companheira encostuária em se tratando de recuperar uma autora fatigada. Deitada em minha cama suja, com a garganta coberta de pus e a voz modulada por um arfar moribundo, ouvi as estórias de Chincha não sem antes resmungar uma ou outra palavra de desprazer, sabiamente disfarçadas pelas amígdalas inchadas. Dentre suas estórias a única que realmente me chamou a atenção se passava no parque do Flamengo, novamente em 1900 e 2007, ano que de tão mítico se tornou a única data possível nos diálogos por nós entretidos, e narrava as desventuras de uma tecladista que montou seu instrumento eletrônico perto dos praticantes de tai-chi-chuan da terceira idade. Felizmente as 20 g de ácido acetil salicílico fizeram efeito antes da parte que envolvia sangue e água-de-coco serem detalhadas. Na manhã do outro dia coloquei os fones de ouvido e, enquanto Chincha se refestelava no Rum carta branca que meu pai disfarça entre os remédios para pressão, ouvi Primal Scream, Screamadelica, Loaded, parte em que o pianinho começa. E decidi tirar a tarde de amanhã para desenhar na praia do Flamengo.




Eles têm treze anos e querem ser deuses do sexo antes mesmo de aprenderem o que é gonorréia nos livros da escola. Fujam deles pois são chatos, persistentes e alechaters intuitivos. Avisados?




Você é uma conhecida poesia originalmente publicada pelo jornal do CA de Comunicação Social da UFRJ, que leva o sagaz nome de 'JonalECO'. Os editores revelaram que originalmente o poema vinha em forma de um corpo feminino; tal diagramação foi modificada porém sem perda aparente de conteúdo. O autor foi eleito, na época de sua ingressão ao curso, o calouro mais bonito do período e acabou de realizar um pequeno documentário comigo e uma equipe de três veteranos (Aninha, Rafinha e Tostes). Lembro-me que se identifou à frente de seus colegas como "poeta, músico, artista e escritor". Um rapaz de futuro, enfim.

Você

Você é linda, é extremamente bela
Um pôr do sol é quase tão lindo quanto você
A luz da lua, o brilho das estrelas
Uma noite de luar são quase tão lindos quanto você

Seus olhos seu olhar tem uma força energia que me prende me falta ar
Meu peito acelera, que agonia o seu amor me surpreende, me faz delirar
Meu Deus você é linda, seu sorriso derreteria um iceberg e a geleira polar
Dois corpos em movimento é o amor da minha vida do momento a quem consigo me entregar

Seu nariz foi feito à mão, sua pele tem toque de seda
Suas mãos tem segurança, tudo é tão bom e você é tão linda
O seu corpo inveja todas as mulheres e tem o calor que o meu precisa para se aquecer
O seu cheiro orgulharia um campo cheio de rosas vermelhas

Você me alivia, você me compreende
Também me atura e só me dá alegria
Agradeço a Deus, todos os dias
Por esse presente sem o qual eu não viveria

Seus olhos seu olhar tem uma força energia que me prende me falta ar
Meu peito acelera, que agonia o seu amor me surpreende, me faz delirar
Meu Deus você é linda, seu sorriso derreteria um iceberg e uma geleira polar
Minha boca junto a sua eu aposto que tem gosto de mel,
compatibilidade.


(RM Torres, segundo período de Comunicação Social na UFRJ)




Da insanidade só restaram os olhos grandes e uma ou outra palavra entremeada com um misterioso som roufenho incapaz de ser identificado por qualquer sonda mental, principalmente desde que aquele filme "Uma Mente Brilhante" virou um hit para os esquizofrênicos não assumidos. E, como se houvesse ainda uma raiva imensa dentro de si, chegou um tanto precipitadamente à conclusão que não há nada que não se cure com coca-cola: pias entupidas, infecções gástricas e pus na garganta, dá até pra acabar com a vida se misturar com chumbinho.

Riu muito antes de emendar com uma gargalhada seca e de uma hora para outra decidiu que não poderia continuar assim, que esse líquido corrosivo dói demais, que esse negócio de fluxo de consciência é maquiagem pra vender livro ruim, e de tanto ter problemas com as vírgulas, os pontos e principalmente os ponto-vírgulas, aboliu toda a palhaçada envolvendo os caracteres e a boa gramática ocidental e se mudou para o Ceilão. Lá adotou cinco gatos siameses e uma índia peruana com cara de balinesa, muito bonitinha, um tanto fedorenta, mas assim, do tamanho certo sobrancelha-levantada-se-é-que-me-entendem-ahn-ahn-ahn. Durante algum tempo foi feliz.

Mas como tudo que é bom dura pouco uma bela madrugada se levantou, e com o pau para fora foi mijar na boca da amante. Afogou-a em 3,76 lts de urina, composta principalment por 75% de uréia extremamente concentrada, obtida através do consumo de coca-cola como única fonte de hidratação durante noventa semanas. Antes de guardar o pau jogou os gatos pela janela da palafita lounge onde morava e fumou um cigarrinho de palha.

Não podia dizer que se considerava mais ou menos insano depois de tamanho espetáculo escatológico; considerou porém uma frase que leu em sua cartilha escolar - fora criado no Congo belga - "não há pecado debaixo da linha do equador". Imediatamente consultou um mapa-mundi roubado de un garoto cego e percebeu que o Ceilão realmente ficava ao sul do hemisfério sul. Riu um pouco de sua própria crueldade, cinco minutos antes de decidir que sentia saudades de seus cinco gatos siameses, e na crista da onda da new wave criou uma igreja mísitca em que felinos representavam os duendes do mundo, tendo sido processado pouco antes do bug do milênio (que não foi) por uma seita de egípcios roots pré-modernos.

Atualmente atende pelo nome de L. Estronda e dirige um circo stripper gay para lésbicas que ficou imortalizado pelo fotógrafo Pierre Verger. Isso tudo em mil novecentos e dois mil e sete.





Quem busca o príncipe à beira da morte do fundo do mar só pra depois fazer um pacto com a bruxa má e perder a voz e a família e ainda por cima se dar mal e virar espuma branca tem que ser loura mesmo.

A melhor estória de amor rejeitado de todos os tempos envolve uma ninfeta com cauda de peixe e cérebro de camarão. Não tem um dia sem que eu pense nela. Não existe simplesmente uma noite sem que aquela figura não muito racional me apareça com um punhal na mão prostrada em frente ao quarto dos recém-casados e olhe para o sorriso no rosto do noivo com uma tristeza tão aguda que sai de lá e vira franjas do mar.

Vez ou outra penso na infelicidade que é perder a cauda e ter que se arriscar em um palácio de um mundo completamente estranho e pra completar ser apaixonada por um príncipe que a chama carinhosamente de "minha pequena irmãzinha".

A cena se repete com tantos outros finais infelizes que me arrisco a chamá-la de moto contínuo. Mas só para mim mesma.

Essa sereia merecia é ser internada no Pinel.




É o cão. Pentagrama invertido, código de barras 666, gente com a bochecha encostando no olho e mulher que pensa que é de borracha invadindo as paradas do sucesso. Zé do Caixão e seu Sette da Lyra são coisa de mil novecentos e dois mil e sete; a parada agora é ler hq de meio tinhoso meio gente, brincar de exorcismo com a barbie sem cabeça, acender charuto e botar chifre em namorado pra mó de ficar mais parecido com o cão preto pra glória de Belzebu. Crentices do tipo Pedro the Lion já eram, agora a new wave é tirar a camiseta e grunhir hinos de missa negra e seguir a dancinha do pentagrama invertido sem errar nem um passinho senão o espelho te engole e você tem que acertar as contas com titio Mefisto. Galinha morta e pipoca velha não tem nada ver, mas se arranjar uns natimortos e uma boa dose de pinga a gente faz um culto dumal, com pinta de filme de bruxinha americano e seriado sobrenatural do Nickelodeon. A gente segura as lagartixas de plástico pela língua e engole os sapos de papel enquanto abraçamos a sucuri e cantamos na língua das baleias Jubarte as palavras da maldição, inferninho climatizado, jean-paul sartre e tudo mais. Tá valendo? Djá é?
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oh ié .




Quando ele ria, ele ria pouco, mas quando ele sorria, ficava assim, do tamanho do mundo, e não tinha como dizer "não" ou coisas erradas, porque faltava saliva, tato, palavra, faltava até calor na ponta dos dedos pra apontar onde dói e dizer "você é o culpado".

Bebês, rapazes de vinte anos e gatinhos me encantam.
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A promoção "abra o blog e ouça uma faixa do novo cd do kimono!" acabou. So sorry...





Olhe fixamante para a foto durante dois vírgula trinta e sete minutos sem piscar nem nada senão a mágica não acontece. Conte no relógio e depois leia o resto desse post. Sem leiturodinamizar. Fair play pelo menos uma vez na vida.

Ok, vou fingir que sou babaca o bastante pra acreditar que alguém leva à sério instrução de internet desde que(longa digressão que não faz necessiaramente sentido algum, pura punhetação ideológica e etc) o primeiro espinhudo com a mão melada pegou um trojan ao baixar o vídeo da Sylvia Saint tomando café com dois lagartos de plástico. É a vida...

Deixa pra lá. Ouviu os primeiros acordes? Hmm, então pode ler o resto.

É que acho super legal esse troço de música em blog. Estraga sua playlist no winamp e a trilha do itunes, mas deixa o histrionissima tão mais hypudo (brilho no canto do olho e gotícula de saliva escorrendo da boca)!

Tortura grátis pra vcs tb viciado aqui internet que não conseguem deixar uma página aberta por muito tempo: se clicar em qualquer coisa nesse blógue vale como um cala-boca pra cantoria. Contando... 3,2,1...

Ué? Não tirou a página do ar por quê? Gostou da coisa?

Trocando em miúdos e afetando aquela vozinha mesmo, rarái!, a voz do Brasilll, a dona do blog com todo orgulho estoura sua paciência com Aftermath, da banda islandesa Kimono. Banda fodíssima, como já foi por mim mesma via scrapbook definida, pra quem eu fiz até comunidade e tal. Com direito a piada interna e tudo.

Entrem no site e baixem tudo. De graça. E coloquem em seus blogs. E deixem tocando no seu émessene. E façam nicks envolvendo refrões obscuros em islandês. Eles são a antiga nova revolução no rock. Mais messiânicos que Strokes e Artic Monkeys juntos. Oh ié.

PS: só pra quem usa o Quickplayer sei lá das quantas.





Me deu o bilhete e saiu correndo. Será que eu mordo?






ele disse: Você só conhece gente bonita! eu disse: foucault uma beleuza

É assim que o carequinha está lá no céu (e na carteira de algumas certas professoras).




Dentre muitas coisas que eu acho bonitas e passo horas olhando até decorar detalhe por detalhe - e me esquecer, commo il faut, na primeira noite de sono - estão Jeanne Moureau, Falconetti, bailarinas em caixinhas de música, o design gráfico da revista BRAVO!, fotos em sépia e desenhos em p&b. Meu cheiro preferido ainda é o de pão sendo fermentado, adoro lactobacilos vivos e vez por outra ligo o soulseek à cata de alguma coisa nova. A última foi a Anna Ternheim.

Se estou escrevendo isso (typewriting, palavra mais bonita - "o que a gente faz é typewrite e não write, ok?") é porque acordei cansada. Cansada de mim mesma. São nessas fases que tenho a decência de me reinventar, mantendo porém alguns detalhes essenciais, como os que foram especificados na listinha logo acima.

Mas bobagem pouca seria dizer que a tal lista sempre foi a mesma. Mentira! Há uns dois anos atrás teria "*E*L*E*C*T*R*O*" no topo ao lado de algumas estrelinhas e desenhos, naquela época, sem rostos. Foi uma fase boa os quinze-dezesseis anos. Chegava em casa com um monte de discos comprados em mercados de pulgas, ligava a vitrola no meu quarto, e ia estudar geometria e química orgânica ouvindo o Technique, Isn't Anything, Hatful of Hollow, Some Great Reward, Siouxsie Siouxsie... foram tempos muito 80's, sem dúvida. Até hoje ainda escuto Devo e fico dançando em frente ao espelho. Shit, this was meant to be a secret.

Bom, já que está na hora de incorporar uma nova persona vou ao shopping hoje e comprar algumas coisinhas. Depois apresento o resultado final.
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Choro litros de tanto rir desse post. Coisa de menina moça.




(4,6 + 5,3) / 2 = 4,95

Rezando pra santa do meu template pro Ref não me repetir por causa de cinco centésimos.
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ORAÇÃO (sim, existe)

Corajosa menina, empunhando vosso estandarte com o desenho da cruz de Cristo e os nomes de Jesus e Maria, libertastes o rei e salvastes vossa Pátria do domínio estrangeiro. Olhai com piedade o terceiro mundo, dominado não por outros países, mas, por bancos internacionais que inventaram uma dívida injusta e cruel e pela globalização que mata de miséria e fome, em cada dois dias, o equivalente às vítimas da bomba atômica jogada sobre Hiroxima e Nagasaki.

Assim como enchestes de coragem, em vossa pequena aldeia do interior, e vos colocastes à frente de exército poderoso, enchei de coragem nossos governantes para que levantem a cabeça e partam em defesa do povo humilhado pela injustiça do desemprego, da pobreza, da fome e da falta de saúde.

Louvado seja o Senhor pelo irmão fogo que separou vosso espírito da carne! Louvado seja o Senhor pelo amor que foi o mais forte, porque ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos irmãos.

Amém.
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De repente esqueci que eu me considerava monoteísta.




Não quero me casar com algum burocrata baixinho de cabelo cor-de-ovo e óculos redondo que só sabe falar sacanagem na cama e decide que me ama enquanto brinca de "quem mexeu no meu queijo" com os subordinados.

Mas sei que vou me casar com um desses porque no fundo são homens bonzinhos com dinheiro no bolso e temperamento doce mas terrivelmente desinteressantes.

Só tenha certeza que se estiver casada com um burocrata baixinho de cabelo cor-de-ovo e óculos redondo etc quando faltar quatro horas pro mundo acabar me levanto da mesa da pizzaria e viro para você e digo que o amo e escuto um eu também com felicidade o bastante para virar um abraço emocionado.

Mas só se faltar quatro horas pro mundo acabar. Até lá eu minto que não tem um porquê.

Um sonho?




Comédia. Vou colocar a letra de "we are the world" no final só pra completar.
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Avaliação de Psicologia

O que é Comunicação - para mim.

Por Amanda Meirinho

(...)

Para mim, comunicação é muito mais que tornar comum. Comunicação é a chave para todas as relações. Não há parcerias sem comunicação, nem trabalho, muito menos sexo. Comunicação é simplesmente a base de toda a organização mundial, desde a caça de focas innuit até a seleção de futebol de Gana. E quem não se comunica, se estrumbica (sic).

Mesmo os ermitões bíblicos mantinham um diálogo, imaginário ou não, com o divino. Por mais isolado que um ser humano esteja, ele se comunicará com o ambiente em que está inserido, e daí adquirirá novos conhecimentos ? de forma que, de modo algum, pode-se dizer que alguém está "sozinho". Um exemplo é o papel de Tom Hanks no filme "O Náufrago". Além de aprender a conviver com o meio inóspito em que se via inserido, a personagem desenvolve uma relação de afetividade com um objeto inanimado ? nesse caso, a bola de vôlei Wilson. De algum modo, havia uma conexão, mesmo que imaginária, entre o objeto e o ser humano, de forma a ser estabelecido um diálogo ? nesse caso, esquizofrênico.

Há múltiplas formas de comunicação além da fala e da escrita. O canto das baleias jubarte, a urina dos cães em postes, a dança das águas-vivas e o vôo das gaivotas são exemplos de que se comunicar não é privilégio puramente humano; o que muda são as formas adotadas. Ouso afirmar então que comunicação é o cimento de todas as relações existentes, e fator primo para a presença da vida e sua persistência. Ou será que uma bactéria, de alguma forma, não se comunicou com outros fatores e deu origem a formas de vidas mais evoluídas?

Sendo comunicação tão essencial para não apenas o convívio entre seres distintos como também a própria existência destes, afirmo que antes da criação da linguagem - pois como se fazer compreensível que não pelo uso de um sistema de regras formais, nesse caso, a linguagem? - simplesmente não havia o mundo, e sim o nada. Não questiono nessa brevíssima análise a existência ou não de Deus, muito menos me baseio em teorias da física moderna sobre as origens da vida. Apenas calco minha opinião sobre o que seria de fato a comunicação a partir da observação de diferentes estruturas de vida e, claro, diferentes linguagens, não me limitando apenas aos signos humanos. Afinal, uma questão tão abrangente como a definição da palavra "comunicação" não deve ser de modo algum ser fechada a noções simplistas de que a única linguagem inteligível existente é a humana, devendo ser analisada a luz de diferentes seres e as regras nas quais vivem.

No caso específico do termo comunicação social, percebe-se que é preciso saber construir de forma válida uma mensagem para que seja compreendia por outros, e assim estabelecer um diálogo. Da mesma forma que, se o cérebro não transmite uma mensagem determinada para o rim a urina não será eliminada, a inexistência de comunicação entre os indivíduos de uma determinada sociedade gera catástrofes. Comunicação social define portanto as inter-relações entre seres humanos de determinada concepção de mundo, e não suas relações com o mundo em geral; e essa comunicação é marcada por diferenças de níveis de linguagem, classe social, sexo, etc, reafirmando portanto a frase de Bakhtin que "o signo é a arena da luta de classes". Porém, como comunicação é um conceito muito mais abrangente que o de comunicação social, limito-me apenas a essas definições gerais.

Reafirmo portanto o papel base da comunicação para o estabelecimento da vida no mundo, sua função fundamental como moderadora, arquiteta e quiçá destruidora de qualquer relação grupal - de colônias de bactérias, passando por manadas de elefantes até condomínios na Barra da Tijuca - e elemento conectivo entre as diversas formas de vida existentes na Terra. Gostaria de propor uma teoria capaz de explicar toda a existência do Universo através da comunicação, porém tenho consciência que, dada a pequenez do meu saber, tal teoria seria epistemologicamente incompleta. Aguardo a contribuição futura de pretensos filósofos da ciência porém.